O dia
prometia. A Amazónia é realmente um paraíso! O guia turístico avisou “ não se
afastem do grupo, por favor!”. Mas a curiosidade é muita e a tentação de
penetrar no Colo da Mãe Natureza era inexplicável. O guia descrevia toda a fauna
e a flora envolvente, enquanto a minha imaginação deambulava por todo aquele
misterioso verde.
Sem me
aperceber, fui-me deixando ficar para trás. Estava tão abstraída que, quando dei
conta, encontrava-me só. Não entrei em pânico, pois no fundo até estava feliz
por ser filha única por um dia.
Parecia
que estava a viver um sonho. De repente, sinto algo a agarrar-me pelo braço. Confesso
que o susto foi enorme. Era um nativo que me arrebatava de uma forma tão bruta
que a certa altura, fechei os olhos e deixei que ele me levasse. Quando abri os
olhos estava já numa tenda,
acompanhada de dois indígenas, que me olhavam de forma desconfiada. Um deles tinha na mão um chicote e o outro tinha a cara tapada com uma máscara. Eles comunicavam entre si, mas claro está que eu não
percebia. Pelos gestos e expressões faciais, estavam zangados um com o outro.
Talvez eu fosse o tema da conversa, pois de vez em quando apontavam para mim.
Foi nessa altura que senti uma pontada de medo e comecei a rezar, imaginando
que estava na igreja de Santa Luzia.
De repente, deixaram-me sozinha na tenda. Por
curiosidade, abri o pano e fiquei em pânico quando vi uma enorme fogueira com
um caldeirão. Foi aí que pensei “ É uma
tribo de canibais, vou morrer! ”. Estava
a viver o maior terror da minha vida. Tentava pensar numa forma de escapar
àquela situação, mas nem conseguia raciocinar.
Um dos nativos
entra na tenda e leva-me para fora. Qual não foi o meu espanto, quando um deles
vai ao caldeirão e tira de lá um prato de feijoada
e oferece-mo. Que vontade de dar uma gargalhada! Mas contive-me, não fossem
eles mudar de ideias. Os feijões estavam bons!
O sol estava quase a pôr-se, quando um
grupo de turistas aparece para fazer uma visita à tribo. Era o meu grupo. Ficaram
espantados por me verem tão à vontade com aquela gente. Confesso que até eu
nunca me imaginei ali.
Foi a maior
aventura da minha vida.
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