segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Aquele" viajar.



"Aquele" viajar



Apetecia-lhe viajar. De outra maneira. “Daquela” maneira.  Tinha apenas dezasseis anos, mas  as drogas eram, para ele, todas conhecidas. Quase todas, porque, agora, na verdade, queria mesmo experimentar aquela de que lhe tinham falado no dia da visita de estudo ao templo de Diana. No alto da escadaria, encostado a uma coluna, o Corvo atirara: “ Tipo…há aí umas cenas maradas, bué novas… tipo é ganda trip, ‘tás a ver? Se eu fumasse uma cena dessas agora, voava daqui para fora, à corvo mêmo!!! “ E ele ficara a pensar naquilo desde então.
A chuva, em cordões espessos, vergastava a tenda onde estava já há duas horas a treinar os tigres para o espectáculo da noite. Tinha nascido no circo, mas não conhecera os pais. Contava-se que o haviam abandonado numa noite de Natal, junto à jaula das feras e Suzete, a contorcionista, condoída do rapaz, recolhera-o e adotara-o. Nunca procurara os pais. Não queria saber. A medalha que usava no fio de ouro, exibia um escudo, indiciando talvez a sua origem aristocrata, gostava ele de pensar! Às vezes ria-se de tamanha idiotice e imaginava o dia em que descobriam que ele, “Roberto, o domador de tigres “, provinha de uma família abastada. Mas a verdade é que, na maior parte das vezes, se sentia triste e angustiado.
 O primeiro cigarro de haxixe, fumado com apenas doze anos, confortara-o e divertira-o. Porém, à medida que os anos foram passando, os rostos desfocados e retorcidos do público, esculpidos pelo fumo da droga, deixaram de o alegrar. Queria mais! Queria embarcar nessa viagem alucinante de que o Corvo tanto falava.
Decidido, Roberto saiu da tenda e dirigiu-se para o porto. A chuva não abrandara. Chegado às docas, falou com o romeno amigo do Corvo. O emigrante recebeu-o com maus modos, berrou-lhe umas palavras indecifráveis, mas acabou por deixá-lo entrar na sua casa, um pardieiro improvisado que cheirava a peixe podre. Abriu uma caixa de madeira com o berbequim e deu-lhe o produto. Agora sim, poderia viajar no tempo e no espaço para lugares fantásticos onde os macacos falavam e os galeões de piratas eram comandados por peixes gigantescos e aterradores.

O Colar
Acabava de me arranjar para a saída anual de ida ao circo com as crianças. O João e os miúdos aguardavam na sala.
Os últimos raios de sol aqueceram o final do dia. Preferia não pôr o colar mas o João tinha-mo trazido de África onde fora caçar elefantes. Quando penso nisso vejo-o sempre a subir as escadas do avião que mais me pareciam um submarino, tantas eram as lágrimas que me inundavam os olhos! Quando voltou a mala estava cheia de recordações exóticas… um machado de guerra, um capacete para a sua colecção e para mim aquele colar de pele de cobra que tinha apanhado numa das suas incursões pelo mato. Ainda em África e já na cidade visitou uma fábrica onde mandou fazer o dito colar. Sempre que o ponho tenho que colocar creme de cato para evitar alergias…
Tanto sacrifício e heroísmo nesse continente merece que ponha o colar apesar do calor!


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

L’aventure



L’aventure
Il était une fois … un garçon qui habitait dans un petit village près des montagnes. Tout était beau-il y avait des arbres, des cactus, des fleurs et une rivière aux eaux fraîches et limpides. Le soleil brillait toujours.
Un jour, le garçon a décidé de partir à l’aventure, voir d’autres choses,  conquérir le monde. Il a mis son casque, il a pris son bouclier (on ne sait jamais ce qu’on va rencontrer et il imaginait qu’il y aurait des dangers ) et aussi un sac à  l’argent. Et il est parti.
Et comment voyagerait-il? À cheval? En train? Non. Il irait dans un sous-marin, dans un beau sous-marin jaune.  C’est ça.  

Santo Graal aquoso


Santo Graal aquoso
O céu estava plúmbeo, de uma cor londrina, a chuva caía miudinha em pingos sincronizados, mas, os dois amigos tinham de continuar como se a tarde fosse de estio. Tinham um grande projeto para realizar e ninguém os poderia auxiliar. Silver e Gold achavam que tinham o mapa que os conduziria ao cálice do Santo Graal.
Vejamos como tudo começou. Silver tinha feito uma viagem como marujo convidado às arábias, a bordo de um submarino amarelo: “we can live in a yellow submarine…”! Um belo dia de verão, dava o sol tanta luz, emergiram numa praia dourada. As ondas ondeavam como cobras e, ao longe, três outeiros testemunhavam a sua aparição. A intensidade da luz solar ofuscava-lhe o olho que espreitava pelo telescópio, no entanto, conseguiu visionar uma figura na praia. Mas, o que estaria aquele homem a vasculhar num baú?? Ah, já se esquecera que estava numa história das mil e uma noites! E que estranha figura era aquela deitada a seu lado? Só conseguiria responder àquelas perguntas se se aproximasse.
Pediu que lhe descessem um escaler e remou até à areia brilhante. Mal colocou os pés na escaldante areia, surpreendeu o homem a mexer em um mapa e a estranha criatura emitiu um grunhido. Um pouco amedrontado, perguntou: - Posso inspecionar o mapa? E Gold afirmou, numa voz cândida: - Gostaria muito de partilhar contigo este enigma. Como te chamas, acrescentou. -  Silver, mas também me costumam chamar “caixa de óculos”. O homem, que tinha ao pescoço um fio barroco, rebolou-se a rir enquanto aquele animal estranho de grande cabeça e com um capacete de vicking saltava e lançava gargalhadas. De imediato, tornaram-se amigos. Voltaram os três para o submarino e ocultaram da tripulação o “seu segredo”. 
Por isso, agora, ali estavam. Os dois amigos, o animal resolvera ficar num parque infantil, deslocaram-se a um “longínquo reino cor- de- rosa” e seguiram o mapa do Tesouro. Depois de passarem vales, rios e montes entraram numa densa floresta e seguiram um luminoso raio solar que incidia numa grande, brilhante e dourada taça! Assim que se aproximaram viram qual era o seu conteúdo: Água, inodora, incolor e insípida, naturalmente!
  Deste modo, compreenderam que o Santo Graal da atualidade é a Água!     

Férias de Sonho


Férias de Sonho

Nas minhas férias de sonho, imagino paisagens desérticas com tribos rodeadas de camelos, catos e vegetação árida. Uso constantemente a minha máquina fotográfica e trilhamos caminhos que parecem jamais pisados por alguém, lembrando o Ali Babá e os quarenta ladrões e os seus tesouros escondidos. Animais pululam nas areias escaldantes: víboras, caranguejos, etc. Ao longe, avistamos tendas de tuaregues repletas de nativos com os sobas, ou reis, à entrada vigiando tudo e todos. As máscaras tapam a cara dos homens e ouve-se música tirada daqueles instrumentos exóticos e também o ruído das rodas das caravanas enferrujadas.

Que susto!


O dia prometia. A Amazónia é realmente um paraíso! O guia turístico avisou “ não se afastem do grupo, por favor!”. Mas a curiosidade é muita e a tentação de penetrar no Colo da Mãe Natureza era inexplicável. O guia descrevia toda a fauna e a flora envolvente, enquanto a minha imaginação deambulava por todo aquele misterioso verde.
Sem me aperceber, fui-me deixando ficar para trás. Estava tão abstraída que, quando dei conta, encontrava-me só. Não entrei em pânico, pois no fundo até estava feliz por ser filha única por um dia.
                Parecia que estava a viver um sonho. De repente, sinto algo a agarrar-me pelo braço. Confesso que o susto foi enorme. Era um nativo que me arrebatava de uma forma tão bruta que a certa altura, fechei os olhos e deixei que ele me levasse. Quando abri os olhos estava já numa tenda, acompanhada de dois indígenas, que me olhavam de forma desconfiada. Um deles tinha na mão um chicote e o outro tinha a cara tapada com uma máscara. Eles comunicavam entre si, mas claro está que eu não percebia. Pelos gestos e expressões faciais, estavam zangados um com o outro. Talvez eu fosse o tema da conversa, pois de vez em quando apontavam para mim. Foi nessa altura que senti uma pontada de medo e comecei a rezar, imaginando que estava na igreja de Santa Luzia.
                 De repente, deixaram-me sozinha na tenda. Por curiosidade, abri o pano e fiquei em pânico quando vi uma enorme fogueira com um caldeirão. Foi aí que pensei “ É uma tribo de canibais, vou morrer! ”. Estava a viver o maior terror da minha vida. Tentava pensar numa forma de escapar àquela situação, mas nem conseguia raciocinar.
Um dos nativos entra na tenda e leva-me para fora. Qual não foi o meu espanto, quando um deles vai ao caldeirão e tira de lá um prato de feijoada e oferece-mo. Que vontade de dar uma gargalhada! Mas contive-me, não fossem eles mudar de ideias. Os feijões estavam bons!
O sol estava quase a pôr-se, quando um grupo de turistas aparece para fazer uma visita à tribo. Era o meu grupo. Ficaram espantados por me verem tão à vontade com aquela gente. Confesso que até eu nunca me imaginei ali.
Foi a maior aventura da minha vida.


Descoberta





Descoberta

Faltava qualquer coisa na vida dele para ser mais…mais feliz. Mais saúde, mais amigos, menos stress no trabalho, mais tempo livre, ou… que peça do puzzle faltava para se sentir melhor com a vida?
A escada da vida que há que subir para se ser mais feliz não é assim tão difícil de descobrir, difícil é subi-la ultrapassando a falta de ânimo que por vezes nos ataca , deixando-nos sem forças.
Para nos fortalecermos, podemos tomar um comprimido, ou talvez dois, ou melhor, não tomar nada e simplesmente subir sempre gradualmente, sem pressas, ganhando ânimo à medida que se avança e olhando para trás para se ganhar consciência das etapas que já foram ultrapassadas.
No topo, ganhamos uma taça imaginária que é só nossa e usamo-la como um pendente para nos incentivar. Olhamos para o fio da horizonte e avistamos o astro-rei , o sol,  e, ao fundo, depois de tão grande caminhada espera-nos uma ilusão «o saco do tesouro», ou seja, mais momentos futuros de bem-estar, pois o que é a felicidade senão pequenos momentos de apaziguamento com a vida?
A descoberta da felicidade é tão difícil como encontrar o cogumelo da longevidade.